

DADOS TÉCNICOS DA FOTO
Título: Florescer no Caos
Ano: 2018
Suporte: Papel fotográfico 236 g/m²
Dimensão: 30 cm x 45 cm
Câmera: Nikon D7100
Objetiva: 18mm / 140mm
Abertura (Diafragma): f/6.3
Distância Focal: 18 mm
Velocidade (Obturador): 1/30
ISO: 100

Descrição da fotografia
Na Avenida Guararapes, o olhar encontra rosas vibrantes que explodem em cor no meio da pressa urbana. Suas pétalas, frágeis e intensas, desafiam o cinza dos edifícios e o borrão apressado dos transeuntes. É como se a cidade, em seu ritmo desmedido, oferecesse um respiro silencioso: flores que, mesmo efêmeras, ousam existir no meio do concreto.

Essa imagem conversa com a sensação da depressão: a dureza que parece engolir tudo, o peso que escurece os dias. Mas também anuncia o gesto da superação — florescer mesmo quando o ambiente parece estéril. Como as rosas da fotografia, é possível brotar em pequenos instantes de cor, lembrando que a vida insiste e se abre caminho, mesmo entre as fissuras do asfalto.
E nesse entremeio de carros, buzinas e sombras de prédios que não acabam nunca, as rosas parecem sussurrar uma teimosia bonita: existir apesar de tudo. Deixar que a cor vaze pelas frestas, mesmo quando tudo ao redor pede silêncio, recolhimento, desistência. A flor ali não é só flor — é recado. É quase um bilhete jogado pela cidade dizendo “calma, ainda dá”. Mesmo quem passa apressado sente, nem que de leve, o choque de uma cor que não deveria estar ali, mas está. E é justamente essa presença improvável que costura esperança no dia.
Porque depressão também é isso: caminhar sem sentir o chão, mas ainda assim topar com algo que lembre que o mundo não acabou. As rosas, vulneráveis e firmes, provam que a beleza pode nascer do nada, do descuido, do caos. E que às vezes basta um pequeno florescer para que o corpo se lembre — devagarzinho — de voltar a viver.









História do Local
A Avenida Guararapes, inaugurada em 1937 durante o Estado Novo, nasceu como símbolo de modernidade. Para sua construção, 18 quarteirões antigos foram demolidos, e engenheiros inspirados pelo urbanismo francês ergueram uma avenida imponente no coração do Recife. Durante as décadas de 1950 a 1970, foi o epicentro da vida cultural e empresarial da cidade: letreiros de néon iluminavam a via, enquanto o Bar Savoy reunia intelectuais como Gilberto Freyre, Carlos Pena Filho e Capiba.
O tempo, porém, trouxe transformações. A decadência chegou a partir dos anos 1970, quando o comércio migrou para outros bairros. Ainda assim, a avenida não deixou de pulsar. Hoje, projetos de revitalização e o desfile do Galo da Madrugada — o maior bloco carnavalesco do mundo — mantêm a Guararapes como espaço de encontros e memórias vivas.
Assim como as flores na fotografia, a avenida simboliza a persistência da vida: mesmo após o desgaste, sempre há espaço para renascer. O contraste entre a fragilidade das pétalas e a rigidez das construções nos lembra que o Recife se reinventa, e que a beleza pode surgir, teimosa e delicada, mesmo em meio ao caos.



