

DADOS TÉCNICOS DA FOTO
Título: A Caixeira do Pátio
Ano: 2018
Suporte: Papel fotográfico 236g/m²
Dimensão: 90cm x 60cm
Câmera: Nikon D7100
Objetiva: 18mm / 140mm
Abertura (Diafragma): f/22
Distância Focal:18mm
Velocidade (Obturador): 1/30
ISO: 100
Descrição da fotografia
Diante da Concatedral de São Pedro dos Clérigos, uma mulher puxa seu carrinho com passos firmes, recortada contra o céu azul intenso. A arquitetura barroca ergue-se ao fundo, impondo-se como testemunha de séculos, enquanto a figura anônima segue seu trajeto cotidiano, feita de silêncio e esforço

A cena fala da resiliência diante do peso que carregamos — um peso que pode ser tanto físico quanto emocional. Como quem enfrenta a sobrecarga da mente, a caixeira encontra força no movimento, na continuidade, na rotina que, apesar de dura, abre caminho para a sobrevivência. Assim, sua travessia é metáfora de superação: mesmo quando a vida parece demasiado pesada, o ato de seguir em frente já é uma vitória.
E há uma beleza crua nesse contraste entre o sagrado do templo e o sagrado do trabalho cotidiano. Ela avança devagar, mas avança — arrastando junto a força de quem não pode parar, de quem aprendeu a transformar fadiga em passo. O carrinho que range, o corpo que inclina, o sol que pesa: tudo compõe uma coreografia dura, porém digna. A igreja observa de cima, cheia de detalhes esculpidos; ela, de baixo, esculpe o próprio caminho na marra, na coragem, na teimosia de existir. Nessa imagem, o peso que ela carrega não é só mercadoria: é vida acumulada, contas, memórias, medos, esperanças. E ainda assim ela caminha. Caminha porque precisa, porque sabe, porque pode. Caminha porque, mesmo quando o mundo parece grande demais, o próximo passo ainda cabe no chão.









História do Local
O Pátio de São Pedro, coração do Recife Antigo, é espaço de encontros e resistências. Diante da imponente Concatedral de São Pedro dos Clérigos, construída entre 1728 e 1782, convivem o barroco e o cotidiano popular. Suas talhas douradas e a tradição da música sacra dialogam com a vitalidade das ruas que a cercam.
Desde 2001, o pátio se transformou também em palco da Terça Negra, iniciativa do Movimento Negro Unificado que reafirma a presença da cultura afro-brasileira no centro da cidade. Nesse espaço, tambores de maracatu, ciranda e coco ecoam como vozes de resistência, fazendo frente às marcas do colonialismo.
Assim como a mulher que empurra o carrinho diante da igreja, o Pátio é testemunha da persistência de um povo. Entre fé e luta, arquitetura e corpo, história e presente, a fotografia nos lembra que a vida urbana é feita de cruzamentos: onde a carga se transforma em poesia e onde o caos revela sua beleza.




