

DADOS TÉCNICOS DA FOTO
Título: A Mulher e o Pirapama
Ano: 2018
Suporte: Papel fotográfico 236 g/m²
Dimensão: 75 cm x 50 cm
Câmera: Nikon D7100
Objetiva: 18mm / 140mm
Abertura (Diafragma): f/11
Distância Focal: 22 mm
Velocidade (Obturador): 1/30
ISO: 100
Descrição da fotografia
Na Avenida Conde da Boa Vista, uma mulher atravessa a rua com passos firmes. Ao fundo, ergue-se o edifício Pirapama, guardião silencioso de décadas de transformação urbana. Entre o corpo em movimento e a arquitetura imponente, a fotografia constrói um diálogo entre a fragilidade da vida e a solidez da cidade

Essa cena evoca a luta contra o cansaço diário, tão próximo da exaustão mental. A mulher, caminhando apesar do peso invisível, simboliza a resistência que se revela no simples ato de seguir adiante. Como no enfrentamento da fadiga emocional, o gesto de caminhar é também afirmação de vida. O Pirapama, sólido e antigo, lembra que, mesmo quando sentimos que vamos ceder, há forças enraizadas em nós que sustentam nossa travessia.
E há algo de profundamente humano nesse encontro entre o instante e o monumento: ela atravessa rápido, mas carrega consigo mundos que a cidade não vê; ele permanece parado, mas guarda histórias que ninguém escuta mais. Atravessar a rua, nesse recorte, vira quase um manifesto — uma forma de dizer “ainda estou aqui”, mesmo quando o corpo pede pausa. A mulher segue, mesmo com a pressa, mesmo com o peso, mesmo com o dia empurrando para trás. Já o Pirapama, com suas janelas alinhadas como olhos antigos, observa tudo, lembrando que o tempo não nos derruba tão facilmente quanto imaginamos. A fotografia, então, costura o gesto simples e o gigante imóvel, revelando que cada passo é um ato de coragem. No caos da cidade, resistir pode ser só isso: continuar caminhando.









História do Local
A Avenida Conde da Boa Vista, uma das principais artérias do Recife, foi aberta no século XIX como um caminho estreito que conectava o centro aos bairros. Em 1870, recebeu o nome em homenagem a Francisco do Rego Barros, o Conde da Boa Vista, figura fundamental para a modernização da cidade. Em 1946, passou por uma grande duplicação, tornando-se eixo vital de transporte, comércio e vida urbana.
O edifício Pirapama, inaugurado na década de 1950, tornou-se símbolo dessa modernização. Sua arquitetura marcante representava o avanço e a verticalização da Boa Vista, consolidando a avenida como centro pulsante da metrópole. Com o tempo, tornou-se também testemunha das crises, das mudanças sociais e das lutas travadas naquele espaço.
Hoje, a mulher que atravessa sob o olhar do Pirapama é continuação dessa crônica urbana. Entre a pressa dos passos e a permanência da pedra, a fotografia nos lembra que a cidade é feita tanto de corpos que resistem quanto de prédios que observam. Recife se reinventa no gesto cotidiano de caminhar, e cada travessia é também uma forma de reescrever sua própria história.




